02/04/2015
Deslarguei esta frase # 26
Entre parêntesis rectos, a frase que me foi dita por uma pessoa que eu tenho o privilégio de guardar dentro do coração, atravessada ao comprido, e que é, para além disso, uma grande sábia. Depois, a minha, que só faz sentido no seguimento da dela.
[No final, temos que nos despojar do que sabemos, para nos tranquilizarmos, de novo]
Só isso explica a demência, suprema sabedoria. Ou Princípio de Peter, que equivale quase ao mesmo.
01/04/2015
Pensamentos que me germinam na caixa, porém nunca me chegam à boca # 7
Pensei melhor naquela questão de ser a última bolacha do pacote. Afinal, não quero ser. Embora saiba que sou, não quero. Decidi agora.
Do pacote?
Ao menos, da caixa. Da lata. Da lancheira. Agora do pacote.
Só a imagem mental. E o cheiro que deve ser.
Também não quero ser a última Coca-Cola do deserto. É que me ocorreu que o deserto pode ser o deserto mental e espiritual. E isso é uma responsabilidade demasiado pesada para eu assumir assim, à bruta e a troco de nada.
A última cocada da praia. OK, essa soa-me bem. Claro, fui eu que inventei a expressão, havia de me soar mal. Vão lá ao Google, a ver se a encontram. O mais próximo que lá há é A última cocada preta do deserto. Livra, longe vá o agoiro.
Não copiei da net, não. Eu tenho predicados, e um deles é este: criar merdinhas.
O boneco
Vá, expliquem-me lá, que eu não consigo perceber isto, mas façam-no como se eu fosse muito burra e algo estúpida, de forma pausada, tim-tim por tim-tim, passo a passo, devagarinho, com todas as letrinhas das palavras da língua portuguesa, sem erros, sem enganos, sem gralhas, sem lapsos, sem dó nem piedade, sem tirar nem pôr, sem apelo nem agravo, sem papas na língua - na vossa - sem pejo, sem medos, sem vergonha, sem truques, sem máscaras, sem rodeios, sem intróito, sem preparação, sem dourarem a pílula, sem floreados, sem partes gagas, sem mais mas-mas, sem rodriguinhos, sem rei nem roque, sem eira nem beira, sem alhos nem bugalhos, sem lé nem cré (sei lá o que isto é, mas olhem, vou lançada, weeeee, saiam da frente!), sem f*** nem sai de cima, sem carne nem peixe, sem cu das calças nem Feira das Galveias, sem água nem vinho, enfim, não sei se já perceberam, ou, em alternativa, façam-me o desenho, o boneco, o esboço, o projecto, o rascunho e o draft, mostrem-me a imagem, o quadro, a fotografia, a fotocópia, o negativo, a impressão, ou então, nada, mas digam-me de vossa justiça, pintem-me a manta, contem-me histórias, lérias, números, podem também usar linguagem gestual, ou apenas me dêem uma opinião, um palpite, um lamiré, uma ideia, assim por alto, uma aproximação que seja, uma luz, qualquer coisinha, mas digam-me só, apenas, tão-só, e já, hoje, agora, neste momento, e aqui:
O que é que passa na cabeça das pessoas que, nas redes sociais e, em particular, na blogosfera, dão a entender uma identidade diferente da real, designadamente quanto à idade, aparência, capacidades e realizações pessoais? Até quando é que se consegue manter o boneco? Há ou não uma altura em que o boneco engole o criador, devorando-o, mostrando-lhe por A mais B que é muito melhor, e, assim, anulando-o?
Também me intriga isto: enquanto dura a farsa, tudo bem. Mas as pessoas não se questionam o que é que lhes pode acontecer, no dia em que - por acaso ou não - a sua imagem real se torne pública, ou, por qualquer motivo, que elas próprias até promoveram, se encontrem cara-a-cara com algum dos seus seguidores/leitores/comentadores/o-que-for? O que é que dizem?
"Ah, isto não é o que parece!"?
ou
"O [avatar] não pôde vir, mas vim eu, em representação. Ele delegou-me este poder"?
O que é que passa na cabeça das pessoas que, nas redes sociais e, em particular, na blogosfera, dão a entender uma identidade diferente da real, designadamente quanto à idade, aparência, capacidades e realizações pessoais? Até quando é que se consegue manter o boneco? Há ou não uma altura em que o boneco engole o criador, devorando-o, mostrando-lhe por A mais B que é muito melhor, e, assim, anulando-o?
Também me intriga isto: enquanto dura a farsa, tudo bem. Mas as pessoas não se questionam o que é que lhes pode acontecer, no dia em que - por acaso ou não - a sua imagem real se torne pública, ou, por qualquer motivo, que elas próprias até promoveram, se encontrem cara-a-cara com algum dos seus seguidores/leitores/comentadores/o-que-for? O que é que dizem?
"Ah, isto não é o que parece!"?
ou
"O [avatar] não pôde vir, mas vim eu, em representação. Ele delegou-me este poder"?
Hã? Ganda loucura. Esta sou eu e as minhas amigas, em Palm, o ano passado, muita malucas, todas. Eu sou a mais gira. Kissssssssssss.
Subscrever:
Mensagens (Atom)

